Dias depois figurava

Ao jantar, na compoteira,

E o apetite despertava

Da Rosita lambareira.

 

Ninguém mais... Está sozinha...

Atreveu-se... uma corrida!...

E num segundo já tinha

A rija fruta engolida.

 

Mal no estômago se apanha,

Diz a Perinha, contente:

«Chorarás a tua manha

na cama, que é parte quente!»

 

Vai deitar-se a pequenita,

Sentindo já muitas dores.

Como ela rebola e grita

Debaixo dos cobertores!

 

Rosna a Perinha judia:

«Se verde não me comeras,

Nenhum mal te sucedia.

Tens ainda pão p'ra pêras!»

 

E teve, pois sofreu dores

Três semanas sucessivas...

Meu Deus, livrai-nos de amores

E de pêras vingativas!

 

 

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