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Vivia
certa Perinha
No ramo da mãe Pereira,
Mais feliz que uma rainha,
Mais oculta que uma freira.
Assim mesmo foi bispada
Cá de baixo p'la Rosita,
Que disse para a criada:
«Ai! Que pêra tão bonita!"
Foi
logo apanhada a pobre,
Verde ainda, muito dura.
Se a Rosita a não descobre
Chegava a mole e madura.
Como não lhe mete dente
A lambaz da pequenota,
Deita-a sorrateiramente
Para um frasco de compota.
A Pêra, ao cair na calda,
Jura vingança cruel,
Pois toda em raiva se escalda,
Tão azeda como fel.
Se a tiraram pequenina
De junto de sua mãe!
Do sol, do ar, da campina,
Que saudades ela tem!
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