O Pesadelo de Marrocos

O mundo civilizado solta um suspiro de alívio. A questão de Marrocos acha-se resolvida... pelo menos temporariamente, depois de dez tremendas semanas de suspensão, em quanto os diplomatas tagarelavam em Algeciras. O pacto final assentou nas seguintes bases:

Regras restritivas para a importação de armas em Marrocos;

Regulamentação das alfândegas;

Internacionalização do banco ao Estado, com quatro censores nomeados pelos bancos da França, Alemanha, Espanha e Inglaterra, sendo o capital distribuído para que a França tenha três quinhões, ao passo que as outras potencias terão um;

Organização da polícia, com instrutores nomeados pela França e pela Espanha, oficiais das duas nações em Tânger e Casablanca, predomínio da França em Mogador, Safim, Mazagão e Rabat, predomínio da Espanha em Tetuan e Laracne;

Pacto cincos anos em vigor a datar da ratificação.

Ao reunir-se a conferência, o delegado alemão Radowitz declarou que nela não haveria vencedores nem vencidos. Os resultados justificam esta previsão.

Mas como nem a França nem a Alemanha ficaram plenamente satisfeitas, é de recear que estes cinco anos próximos representem o intervalo de repouso enquanto o pau vai e vem. Depois veremos se continuarão a folgar as costas.

Na Rússia

Vão prosseguindo as eleições para a Duma, no meio de perturbações constantes. Não admira. Não é fácil que o povo russo manifeste grande entusiasmo por um parlamento que não passará de uma simples caricatura da assembleia nacional que lhe fora prometida. O recente manifesto do Czar deitou por terra todas as esperanças. O conselho de Estado terá direitos iguais aos da Duma. Os seus membros nomeados formarão uma maioria permanente e o conselho terá direito de veto sobre as resoluções de Câmara Baixa.

 

 

 

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